quinta-feira, 19 de abril de 2012

Dois sentidos

            Era uma deusa perdida em um carnaval improvável. A forma esguia, a fala graciosa, a pele macia. Os olhos coloridos de um castanho inédito. Um tom de voz grave, rouco, sensual, ao falar de si e do mundo.
Um calor trêmulo nos seios, nas coxas. Mas estava escuro, a música nas alturas, as fantasias opulentas, lantejoulas do lado de lá, couro do lado de cá, calças compridas, blusas de manga, golas enfeitadas, nenhuma pele exposta. Então, como percebera eu tanto daquela mulher? Pelo perfume. Pelo gosto de seus lábios. Cheiro e sabor se fizeram luz, som, carícia nua.

Rafael Linden

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