quinta-feira, 19 de abril de 2012

Para que escrevo?

Para um cientista e professor, escrever é obrigatório. Minha especialidade requer a redação de projetos e a publicação de descobertas, interpretações de fenômenos naturais, inovações técnicas, comentários críticos, textos didáticos ou de divulgação. Nesta seara, a criatividade se exerce no laboratório de pesquisa, mas o texto é obrigatoriamente factual, objetivo e restrito pelo formalismo de métodos, resultados e contextualização, solidamente baseados em fatos e precedentes. A escrita científica não admite licença poética, invenção ou devaneio. Mas não renuncio à fantasia. 
          Assim, vez por outra, desligo a pessoa jurídica e ponho-me, sem compromisso, a literaturar coisas, pessoas, histórias e memórias.
          Sequer alimento a ilusão de que serei lido. No entanto, escrevo. E sinto que o faço pelo mesmo ímpeto primitivo que, há milênios, inspirou os primeiros ideogramas, os quais inauguraram a permanência da linguagem. Gosto de pensar que a escrita nasceu, como outras conquistas civilizadoras, de um impulso visceral pela liberdade. Não qualquer liberdade, mas a verdadeira, que brota da expressão integral do ser humano. Escrever é irradiar liberdade. Escrevo, pois, para libertar sentimentos enclausurados.
          Por outro lado, é um alívio saber que, para tantos escritores de merecida fama, nem sempre o assunto que escolhem a priori é o que acaba por preencher a folha em branco. Assim é comigo também. Com frequência, palavras e frases que acabei de redigir não se conformam em dizer o que eu queria. Ao contrário, revelam algo que eu não sabia. Deixo-me levar e, aos poucos, encontro um pedaço de mim, antes ignorado. Escrevo, também, para me conhecer.

Rafael Linden

4 comentários:

  1. Rafa, gostei demais desse texto. É assim que eu sinto também! Quando eu fazia dança também experimentava essa coisa de deixar os sentimentos vazarem, mesmo aqueles que eu nem sabia que tinha... Também é assim quando escrevo, mas isso está cada vez mais raro... Um dia faço uma oficina de escrita criativa!
    Você fica triste se eu compartilhar no Facebook? Fica, não é?
    E blog é trampolim para outras drogas, como o FB! Presta atenção!
    Adoro ler o que você escreve. Beijos,
    Marilia

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    1. Oi querida

      Obrigado, eu quero ler seus escritos também! Pode compartilhar no Facebook, é claro. Fico triste nada, muito pelo contrário. Mesmo careta, eu tolero os vícios dos outros...
      :-)

      beijo grande
      Rafael

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  2. Rafael,

    Obrigada pelo "convite" para curtir (e participar) de seu blog. Deixe-se levar e nos leve com você nesse mundão das palavras que soam tão bem.
    Beijo grade da Chris (Barja-Fidalgo)

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    1. Chris, querida
      Obrigado pela visita. Volte sempre!!
      beijo grande
      R

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