terça-feira, 1 de maio de 2012

Quatro décadas de esquina

            Há quarenta anos saiu o long play “Clube da esquina”. Puxa, faz tanto tempo assim? Faz sim, pare de lamentar que não se faz mais bolacha preta e só se ouve emepetrês, de resmungar que não dá para apreciar direito a pujança da voz do Milton ou a sutileza dos arranjos do Wagner Tiso sem a agulha diamante original do seu toca-discos Grundig, que custou uma nota e está parado há anos. A vida é curta e não se deve perder tempo reclamando que o próprio passa.
            Ao contrário do cinquentenário da peça “O bem-amado”, de que até agora só eu lembrei (a novela dos anos setenta fez tanto sucesso que todo mundo parece ter esquecido que era apenas a adaptação de uma peça para teatro), o quarentenário do Clube da Esquina foi lembrado, festejado e cronicado o suficiente. Quem sou eu, então para escrever sobre isso? Resposta certa: ninguém, apenas mais um cara que passou os dois terços mais recentes da vida ouvindo o Milton, o Beto Guedes, o Lô, o Wagner Tiso, o Toninho Horta e quem mais fazia parte daquele clube. Nossos ouvidos, frequentemente tão maltratados e ávidos de boa música, tem uma dívida gigantesca para com o talento desses mineiros. Portanto, aceitemos que de um aniversário desses todo mundo não só pode, como deveria dizer alguma coisa para comemorar.
            Então lá vai. Antes do Clube da Esquina já havia Clube da Esquina. Quer dizer, antes do long play quarentão, no qual consta entre outras a música “Clube da Esquina número 2” (que no disco é só instrumental e, anos depois, ganhou a letra “Porque se chamava moço, também se chamava estrada, viagem de ventania...”), Milton Nascimento tinha gravado em 1970 a canção “Clube da Esquina”, composição dele com dois dos irmãos Borges. Essa tinha letra e, lá pelas tantas, dizia “...um grande país eu espero, espero da noite chegar...”. Há quarenta e dois anos. Continuamos esperando. Enquanto isso, viva o Clube da Esquina e a boa música brasileira. A boa. Só a boa, tá?


Rafael Linden

5 comentários:

  1. Como dizia o Chico: - "...esperando alguem para esperar também..."

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    1. Olá, amigo
      Optei por seguir você no seu telhado e não me contentar somente com os flashes da 75. Você é meu mais novo cronista de cabeceira. Bjs Tânia

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    2. Obrigado, queridos. Nosso clube ocupava um quarteirão inteiro, mas também ficava na esquina.

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    3. Olá Rafael! Sempre que dá, passo por aqui. Talvez munida pelo mesmo saudosismo que sentes pelo Clube da Esquina. Sobre o texto, o lamentável é que, hoje, a cidade tem apenas obras soando a cada quateirão...rs. Abração!

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