sábado, 8 de setembro de 2012

Incomodada ficava sua neta


          Há tempos, um anúncio de absorvente íntimo, criado pela agência Lage Magy para enfatizar a modernidade do produto, popularizou o bordão “Incomodada ficava sua avó”. Pois, a revista eletrônica do Smithsonian Institute publicou um comentário da jornalista Helen Fields sobre estudos científicos que comprovam vantagens do envelhecimento. E não é que os pesquisadores estão, cada vez mais, demonstrando empiricamente que isso existe?!...
          A reportagem começa citando um estudo feito na Universidade de Michigan, com duzentos voluntários de várias idades, os quais deviam formular sugestões para resolver problemas alheios. Os que já tinham passado dos sessenta anos de idade sairam-se muito melhor do que os mais jovens para imaginar pontos de vista distintos, elaborar soluções variadas e reduzir conflitos.
          Leitores mais belicosos, a esta altura, já estão resmungando que esse negócio de apaziguar é “coisa de velho” e que “pobrema se resorve é na porrada”. Vá lá, respeitemos as opiniões alheias, afinal eu já estou oficialmente autorizado a estacionar na vaga de idosos. Dois pontos, hífen, fecha parênteses (vejam como sou muderno).
          Um outro estudo foi feito por uma psicóloga da Universidade de Stanford, com voluntários de dezoito a noventa e quatro anos de idade. Os dados demonstraram que, à medida que a idade aumentava, eles se mostravam mais felizes e suas emoções tendiam a reverberar cada vez menos. Em particular, emoções negativas, como tristeza, raiva ou medo, eram menos intensas nos mais velhos do que nos mais jovens. E ainda há quem ache que “velho chato” é mais frequente que “adolescente chato”.
          Interessante também foi o resultado de um terceiro estudo, feito por um sociólogo da Universidade Cornell, que entrevistou mil e duzentas pessoas e, com frequência,  ouviu de sessentões que eles desejariam ter aprendido a desfrutar de cada momento quando tinham trinta anos, em lugar de só te-lo aprendido em idade mais avançada. Dá o que pensar, principalmente quando alguém reclama que jovens não pensam no futuro e só se preocupam em se divertir “como se não houvesse amanhã”.
          Não estou surpreso com nada disso. Não sei vocês, mas de minha parte já faz algum tempo que passei a guiar minha vida com base na máxima de que “se não tem solução, não é um problema”. Os outros, em geral, acham que é um pingo de sabedoria quando, na verdade, trata-se meramente de um princípio matemático.
          Seja como for, estou ficando cada vez melhor na arte de me aborrecer menos. Experimente, eu recomendo.


Rafael Linden




8 comentários:

  1. Estamos na mesma onda, hiper_ imunizados!
    abs JS

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    Respostas
    1. Nada como usar a idade a nosso favor, né?
      abraço
      R

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  2. Ótimo,chega de hipervalorizar a juventude. Está mais que na hora de termos um lobby pró-senior.

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  3. Olá Rafael
    Post publicado no Portal Teia.
    Até mais

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  4. Endosso totalmente o seu texto, meu jovem!!!
    [x]dr

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