Para um cientista e professor, escrever é
obrigatório. Minha especialidade requer a redação de projetos e a publicação de
descobertas, interpretações de fenômenos naturais, inovações técnicas, comentários
críticos, textos didáticos ou de divulgação. Nesta seara, a criatividade se
exerce no laboratório de pesquisa, mas o texto é obrigatoriamente factual,
objetivo e restrito pelo formalismo de métodos, resultados e contextualização,
solidamente baseados em fatos e precedentes. A escrita científica não admite
licença poética, invenção ou devaneio. Mas não renuncio à fantasia.
Assim, vez
por outra, desligo a pessoa jurídica e ponho-me, sem compromisso, a literaturar
coisas, pessoas, histórias e memórias.
Sequer alimento a ilusão de que serei lido. No
entanto, escrevo. E sinto que o faço pelo mesmo ímpeto primitivo que, há milênios,
inspirou os primeiros ideogramas, os quais inauguraram a permanência da
linguagem. Gosto de pensar que a escrita nasceu, como outras conquistas civilizadoras,
de um impulso visceral pela liberdade. Não qualquer liberdade, mas a verdadeira, que brota
da expressão integral do ser humano. Escrever é irradiar liberdade. Escrevo,
pois, para libertar sentimentos enclausurados.
Por outro lado, é um alívio saber que, para tantos escritores
de merecida fama, nem sempre o assunto que escolhem a priori é o que acaba por preencher a folha em branco. Assim é
comigo também. Com frequência, palavras e frases que acabei de redigir não se conformam
em dizer o que eu queria. Ao contrário, revelam algo que eu não sabia. Deixo-me
levar e, aos poucos, encontro um pedaço de mim, antes ignorado. Escrevo, também,
para me conhecer.
Rafael Linden
Rafa, gostei demais desse texto. É assim que eu sinto também! Quando eu fazia dança também experimentava essa coisa de deixar os sentimentos vazarem, mesmo aqueles que eu nem sabia que tinha... Também é assim quando escrevo, mas isso está cada vez mais raro... Um dia faço uma oficina de escrita criativa!
ResponderExcluirVocê fica triste se eu compartilhar no Facebook? Fica, não é?
E blog é trampolim para outras drogas, como o FB! Presta atenção!
Adoro ler o que você escreve. Beijos,
Marilia
Oi querida
ExcluirObrigado, eu quero ler seus escritos também! Pode compartilhar no Facebook, é claro. Fico triste nada, muito pelo contrário. Mesmo careta, eu tolero os vícios dos outros...
:-)
beijo grande
Rafael
Rafael,
ResponderExcluirObrigada pelo "convite" para curtir (e participar) de seu blog. Deixe-se levar e nos leve com você nesse mundão das palavras que soam tão bem.
Beijo grade da Chris (Barja-Fidalgo)
Chris, querida
ExcluirObrigado pela visita. Volte sempre!!
beijo grande
R