sábado, 12 de julho de 2014

Esta Copa do Mundo e todas as outras


          Brasil e Holanda, Alemanha e Argentina. Os dois últimos jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2014. No rescaldo da fragorosa derrota da seleção brasileira - não confundir com Brasil - para a seleção alemã - não confundir com Alemanha, muito menos com a Alemanha das Divisões Panzer, como fez de forma canhestra e deplorável uma coluna de um grande jornal do Rio de Janeiro -, o jornalista e escritor Xico Sá lembrou, em um programa de televisão, a abertura de um documentário de Geneton Moraes Neto sobre a Copa do Mundo de 1950. No filme, o ator Paulo Cesar Pereio recita versos da “Seção 18” da “Canção de mim mesmo” do poeta norte-americano Walt Whitman, publicada pela primeira vez em 1855.
          Hoje não tem crônica. Para os leitores deste blog que se interessam por futebol e pela vida em geral – os quais, insisto em lembrar, são duas coisas diferentes – fica, de presente, a Seção 18:

“Com música poderosa eu venho, com minhas cornetas e tambores,
Não toco marchas para os vitoriosos conhecidos, toco marchas para os conquistados e assassinados.
Ouviste dizer que é bom ganhar o dia?
Digo que também é bom cair; batalhas são perdidas no mesmo espírito em que são ganhas.
Bato e alardeio pelos mortos,
Eu sopro através de minha embocadura, bem alto e alegremente para eles.
Vivas àqueles que perderam!
E para aqueles cujas naus de guerra naufragaram no oceano!
E para aqueles que se afogaram no oceano!
E para todos os generais derrotados em suas empresas, e todos os heróis abatidos!
E os incontáveis heróis desconhecidos, tão grandes quanto os grandes e aclamados heróis!”
(Tradução por Luciano Alves Meira, 2005)


Rafael Linden

4 comentários:

  1. Futebol e vida em geral – são duas coisas diferentes. Legal.

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  2. A-há. Férias possibilitam "visitar" os amigos. Você disse bem: uma seleçao de futebol não resume um país. Patriotismo não é torcer por um time. E que bom seria transferir a cobrança da sociedade sobre os jogadores para nossos representantes políticos (que chorariam a qq indício de mau desempenho...rs). A derrota serve para ensinar. Pena que há poucos dispostos a aprender. Beijão.

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